quarta-feira, 22 de abril de 2009

O suicídio

Os jovens recorrem a uma multiplicidade de razões para explicar o suicídio que nos remetem para uma abordagem multidimensional, onde se salientam as dimensões representacionais (significativas) de natureza intra-individual (baixa auto-estima, sentimentos de perda, desilusão e insegurança), interactiva (injustiça relacionada com os amigos, injustiça relacional e injustiça distributiva), psicossocial (influência social/isolamento) e biológica (factores biológicos).

As causas que mais podem contribuir para o suicídio são, antes de mais, os problemas - principalmente os problemas familiares - e as dificuldades para os resolver, a falta de amigos, a droga e o álcool; estas constituirão representações hegemónicas (Moscovici, 1988), partilhadas pela maioria dos jovens inquiridos.
A insegurança e a baixa auto-estima são consideradas como razões preponderantes que podem levar um jovem ao suicídio. Igualmente muito importantes, são os sentimentos de perda, a dor e a desilusão, bem como a influência social (traduzida no modo como é ou não conseguida a integração e a identificação grupal/social) e o isolamento. Os factores biológicos e a solidão face aos problemas são outras causas a salientar.

Verificámos importantes diferenças no modo como os rapazes e as raparigas representam o suicídio juvenil. As raparigas sobressaem pelo seu maior envolvimento emocional e sentido prático, mais voltado para a acção, o que se denota em múltiplos aspectos (nomeadamente de natureza interacional), que elas salientam mais do que os rapazes: a família não compreender o jovem, não ter amigos, a importância dos pais falarem com os filhos, a necessidade de (in)formação, tentar perceber os problemas que preocupam o colega, pedir ajuda a um especialista, ter uma disciplina onde se fale de suicídio, não deixar o colega só, tentar tirar-lhe a ideação suicida e ocupá-lo com outras actividades (grupais).